Vibe coding no Brasil: os desafios de quem programa com IA
Pesquisa da Locaweb revela os receios mais comuns entre quem usa IA para criar projetos.
Criar um site, automatizar uma tarefa ou tirar uma ideia do papel com programação já não é uma possibilidade restrita a quem estudou tecnologia. Com a popularização das ferramentas de IA, profissionais de diferentes áreas passaram a experimentar o código por conta própria, muitas vezes sem saber programar antes.
Esse movimento ganhou um nome: vibe coding. Mas existe uma diferença importante entre conseguir gerar um código que funciona e ter um projeto digital funcionando de forma segura e estável na internet.
Ao longo do nosso novo levantamento, realizado com profissionais de diferentes áreas, descobrimos justamente onde essa diferença aparece: embora 7 em cada 10 pessoas de fora da área de tecnologia já estejam embarcando pela programação, alguns receios ainda se mantêm quando é preciso colocar, proteger e manter esse projeto no ar. Leia mais:
O que é vibe coding e por que ele ganhou espaço?
De forma geral, o termo vibe coding passou a ser usado para descrever uma forma de desenvolver software em que a inteligência artificial participa ativamente da criação do código.
Em vez de escrever cada linha manualmente, o usuário descreve o que deseja em linguagem natural e utiliza a IA para gerar, modificar ou complementar a programação.
Na prática, isso reduz uma das principais barreiras para quem nunca programou: o conhecimento prévio de uma linguagem específica. Uma pessoa pode, por exemplo, explicar à ferramenta que precisa de uma página com formulário, solicitar uma alteração no código e testar o resultado sem necessariamente dominar os conceitos envolvidos.
Os dados do nosso novo estudo recente ajudam a dimensionar esse movimento entre profissionais brasileiros de outras áreas. Na prática, 45,1% dos entrevistados já utilizaram inteligência artificial para desenvolver programas, sites ou sistemas, e 40% desse grupo fizeram isso mais de uma vez.

O interesse também não começa necessariamente com uma demanda profissional. Entre aqueles que já tentaram programar, 22,9% tiveram o primeiro contato com a programação por meio de projetos pessoais, enquanto 18,5% começaram por demandas profissionais, 13,2% por estudos ou cursos e 8,2% por curiosidade.
Universo da programação: o vocabulário ainda é uma barreira
Ainda assim, programar com ajuda da IA não elimina outro obstáculo: o vocabulário.
Isso porque, no levantamento, mapeamos os termos da programação que mais geram dúvidas no país. O resultado chama atenção: “código”, palavra que dá nome à própria atividade, lidera o ranking, seguido por “sintaxe” e “java”.
Na lista também aparecem expressões como “API”, “algoritmos”, “Python”, “front-end”, “back-end”, “cibersegurança” e a dupla “software/hardware”.

Para quem começa a programar com IA, esses conceitos surgem o tempo todo: nas respostas das ferramentas, nas mensagens de erro e na hora de decidir onde e como publicar o projeto. Entendê-los faz diferença para revisar o que foi gerado e para conversar com fornecedores e com a área técnica.
Programar ficou mais acessível, mas colocar o projeto no ar é outra história
No dia a dia de trabalho, a possibilidade de criar código com ajuda da IA resolve apenas uma parte do processo.
Depois que uma aplicação funciona no computador, surgem outras perguntas: onde ela será hospedada? Como os dados dos usuários serão protegidos? O que acontece se o sistema parar de funcionar? Como acompanhar o desempenho à medida que mais pessoas acessarem?
É justamente nessa etapa que aparecem os principais receios identificados pela pesquisa.
4 em cada 10 profissionais ouvidos têm medo de criar algo com falhas, parcela semelhante à que demonstra preocupação com vulnerabilidades de segurança. Outros 39,1% temem expor e lidar com o vazamento de dados de terceiros.
Esses desafios não desaparecem quando o projeto funciona. Ao imaginar que aquilo que programaram está pronto para ser utilizado, 55,1% apontam a segurança dos dados dos usuários como a principal preocupação. Na sequência, aparecem saber o que fazer se algo parar de funcionar (42,4%) e entender onde e como colocar o projeto no ar para que outras pessoas possam acessá-lo (40,5%).
Programadores permanecem importantes
Para aqueles que ainda têm dúvida, a Locaweb enfatiza que não: a IA não está substituindo os programadores.
O que a tecnologia fez, na prática, foi ampliar o perímetro de quem consegue dar os primeiros passos. E quanto mais esse perímetro cresce, mais evidente fica o valor de quem domina o que vem depois: arquitetura, segurança, performance, observabilidade e escalabilidade.
Metodologia
O levantamento foi realizado pela Locaweb com 363 profissionais de fora da área de tecnologia, incluindo empreendedores, gestores, profissionais autônomos, freelancers e lideranças de diversas áreas, maiores de 18 anos, residentes em todas as regiões do Brasil.
O estudo explorou a relação com programação, o uso de inteligência artificial generativa e os principais receios operacionais envolvidos no processo de publicação de softwares e sites.
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